Jornal diário da corrida de montanha
Sierre-Zinal · sábado, 8 de agosto · Valais, Suíça
Trinta e um quilômetros, 2.200 metros de subida e 1.100 de descida decidem pontos ao mesmo tempo na Golden Trail World Series e na Copa do Mundo da WMRA. O recordista do percurso ficou de fora por lesão no menisco.
A prova mais tradicional do calendário de montanha larga daqui a dois dias, com a elite feminina saindo às 10h30 e a masculina às 11h00 no horário da Europa Central — 5h30 e 6h00 em Brasília. O percurso vai de Sierre a Zinal com 31 km, 2.200 m de subida e 1.100 m de descida, segundo o site oficial da prova. O apelido vem da vista para cinco cumes acima de 4.000 metros.
O que torna esta edição diferente de qualquer outra etapa do ano é a dupla pontuação: Sierre-Zinal é a quinta das oito etapas da Golden Trail World Series e, ao mesmo tempo, a sétima das dez da Copa do Mundo de Corrida de Montanha da WMRA. Um único resultado mexe em dois campeonatos.
Kilian Jornet não larga. O catalão, recordista do percurso com 2h25min34 em 2024, anunciou a desistência depois de meses convivendo com lesão de menisco no joelho esquerdo, dano de cartilagem e edema ósseo — o mesmo quadro que o tirou da Western States em 27 de junho, em Dusty Corners. "Prefiro me dar tempo em vez de voltar cedo demais", escreveu. A iRunFar confirma a ausência dele na lista de inscritos.
Entre os homens, o nome do momento é o marroquino Elhousine Elazzaoui, que venceu três das quatro etapas já disputadas da Golden Trail em 2026 — Zegama, Ledro e Pitz Alpine — e foi quarto na quarta, por 32 segundos. Do outro lado, os quenianos: Philemon Kiriago, bicampeão e campeão em título, e Patrick Kipngeno, colecionador de segundos lugares aqui.
No feminino, a campeã em título é Caroline Kimutai, que herdou o título de 2025 com 2h55min31 depois que a vencedora original, Joyline Chepngeno, foi desclassificada por doping — dois anos de suspensão da Athletics Integrity Unit por triancinolona acetonida, inelegível até 2027. A queniana Ruth Gitonga chega liderando a classificação geral da Copa do Mundo da WMRA. E a suíça Maude Mathys, tetracampeã e recordista com 2h49min20 desde 2019, corre em casa. Joyce Njeru desistiu nesta quinta-feira, 6 de agosto.
A 23ª edição do UTMB Mont-Blanc acontece de 24 a 30 de agosto. É ali que se decidem as finais das três categorias das UTMB World Series: OCC nos 50 km, CCC nos 100 km e UTMB nas 100 milhas. A temporada 2026 do circuito tem 64 eventos em cinco continentes, com nove estreias — quatro na Europa, três na Ásia e duas na América do Norte.
| Prova | Data | Largada | Distância | D+ | Barreira |
|---|---|---|---|---|---|
| PTL | seg 24/8 | 08h00 | 300 km | 25.000 m | 151h |
| MCC | seg 24/8 | 10h00 | 40 km | 2.350 m | 10h |
| TDS | seg 24/8 | 23h50 | 145 km | 9.500 m | 44h55 |
| ETC | ter 25/8 | 14h00 | 15 km | 1.200 m | 4h30 |
| OCC | qui 27/8 | 08h15 | 60 km | 3.500 m | 14h30 |
| CCC | sex 28/8 | 09h00 | 101 km | 6.050 m | 26h30 |
| UTMB | sex 28/8 | 17h45 | 174 km | 9.900 m | 46h45 |
Mudanças de percurso. A OCC ganhou novo ponto culminante na Tête de Balme, a 2.321 m. A TDS foi ampliada pela região do Beaufortain, incluindo o Pas d'Outray. A organização mantém a ressalva padrão de que distância e desnível podem ser ajustados por restrições de terreno.
| # | Etapa | País | Data | Dist. | D+ |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Zegama-Aizkorri | Espanha | 17/05 | 42 km | 2.745 m |
| 2 | Ledro Sky Trentino | Itália | 24/05 | 28,8 km | 1.775 m |
| 3 | Québec Mega Trail | Canadá | 05/07 | 28,6 km | 1.397 m |
| 4 | Salomon Pitz Alpine | Áustria | 01/08 | 24,5 km | 1.618 m |
| 5 | Sierre-Zinal | Suíça | 08/08 | 31 km | 2.133 m* |
| 6 | Myoko Trail | Japão | 20/09 | 23,6 km | 1.935 m |
| 7 | Jinshanling Great Wall | China | 27/09 | 22,4 km | 1.653 m |
| 8 | Muju Trail — Grande Final | Coreia do Sul | 24/10 | 25,6 km | 2.294 m |
* O circuito informa 2.133 m de D+ para Sierre-Zinal; o site oficial da prova informa 2.200 m de subida e 1.100 m de descida. Divergência não resolvida.
Como se pontua em 2026: contam os quatro melhores resultados entre as sete etapas regulares, mais a Grande Final. Etapa regular vale até 200 pontos; a Final, até 300 — ou seja, quem chega vivo à Coreia em outubro decide o campeonato lá. Máximo teórico da temporada: 1.250 pontos.
Duas novidades. A primeira são os pontos de segmento: trechos específicos de subida, de descida e de sprint pontuam para os cinco primeiros (10-8-6-4-2), com teto de 150 pontos na temporada e exigência de concluir a prova para validar. A segunda é o ranking de equipes inaugural, que soma as posições dos dois melhores homens e das duas melhores mulheres de cada equipe em sistema de golfe — menor soma vence.
O circuito de skyrunning distribui mais de 250 mil euros na temporada, dos quais 100 mil vão para os vencedores da classificação geral. Provas classificadas como RED valem 1,5 vez os pontos; as WHITE, pontuação padrão.
Para constar no ranking geral é preciso completar quatro provas mais o SkyMasters, e o regulamento obriga a incluir ao menos uma e no máximo duas provas RED. O SkyMasters — Marató dels Dements, na Espanha, em 7 de novembro — vale pontuação dobrada. É um formato que penaliza quem só corre o que é perto de casa.
A última etapa foi o Beast of Big Creek (RED), em Hoodsport, no estado de Washington, nos dias 1º e 2 de agosto: Morgan Elliott venceu em 2h05min27, com o peruano José Manuel Quispe em segundo com 2h09min42 e Daniel Antonioli em terceiro com 2h10min45. No feminino, Eva Pannone fez 2h32min50, seguida de Natalie Beadle (2h35min13) e Claudia Corral (2h36min15). Com o pódio, Quispe carimbou vaga na grande final. A próxima etapa é o Matterhorn Ultraks Extreme, em Zermatt — o próprio circuito publica 21 e 22 de agosto em páginas diferentes, e a data exata precisa ser confirmada com o organizador. Entre 3 e 20 de agosto não há nenhuma etapa.
A Copa do Mundo de Corrida de Montanha de 2026 tem dez eventos, dez países, 16 corridas e três continentes, com bolsa de aproximadamente 250 mil euros e, como novidade, premiação separada por categoria — uphill, classic up and down e long distance — além do ranking geral. Sierre-Zinal é a etapa deste sábado; a final é o Défi des Couleurs, no Canadá, em 10 e 11 de outubro.
Na última etapa disputada, o Vauban Mountain Trail, em Briançon (França), em 19 de julho, o queniano Ephantus Mwangi Njeri venceu os 14 km da classic em 1h03min01, à frente de Richard Omaya Atuya (1h03min28) e Elijah Kamau Kariuki (1h05min06) — pódio inteiramente queniano. No feminino, Ruth Mwihaki Gitonga fez 1h14min03, com Gloria Chebet a 19 segundos. No uphill de 6 km, no dia anterior, venceram Atuya (40min40) e a italiana Francesca Ghelfi (49min18).
Gitonga lidera a classificação geral feminina. O líder masculino não está confirmado: a prévia da WMRA indica que Philemon Kiriago é o segundo colocado, mas nenhuma fonte acessível nomeia o primeiro nem publica pontuações — a entidade divulga o ranking apenas em PDF que não foi possível recuperar.
Não há Campeonato Mundial em 2026. O WMTRC é bienal; depois de Canfranc, na Espanha, em 2025, o próximo será na Cidade do Cabo, África do Sul, de 6 a 10 de outubro de 2027 — a primeira vez do evento na África, com quatro provas sênior (classic, uphill, short trail e long trail), medalhas individuais e por equipe, e expectativa de cerca de 1.200 atletas de elite de mais de 80 países. Em 28 de julho, a WMRA e a Athletics Integrity Unit anunciaram reforço da educação antidoping para corredores de montanha.
| Marca | Atleta | Tempo | Data |
|---|---|---|---|
| Recorde do percurso — Zegama-Aizkorri | Tove Alexandersson (SWE) | 4h08min09 | 17/05 |
| Recorde do percurso — Hardrock 100 (fem.) | Courtney Dauwalter (EUA) | 26h03min10 | 10-11/07 |
| Recorde do percurso — Hardrock 100 (masc.) | Ludovic Pommeret (FRA) | 21h11min36 | 10-11/07 |
| Recorde do percurso — Badwater 135 (masc.) | Max Jolliffe (EUA) | 20h53min41 | 25-27/07 |
| Recorde do percurso — Badwater 135 (fem.) | Carmen María Pérez (ESP) | 21h05min32 | 25-27/07 |
| FKT geral — Via Alpina, 2.018 km | Sophie Woods / Grant (NZL) | 28d 17h 59min | 04/07 a 01/08 |
| FKT masc. — Pacific Crest Trail, 4.270 km | Aurélien Sanchez (FRA) | 45d 20h 15min | até 23/07 |
| FKT masc. — GR20, Córsega | François D'Haene (FRA) | 29h46min20 | 08-09/07 |
| Recorde fem. — Bob Graham Round | Katharina Hartmuth (ALE) | 14h11min58 | 27/07 |
Alexandersson tirou 8min34 do recorde de Nienke Brinkman em Zegama (4h16min43, de 2022). Dauwalter melhorou a própria marca de 2024 em 8min39 e terminou em quinto na classificação geral da Hardrock. Pommeret, aos 50 e poucos anos, tirou 21 minutos do próprio recorde e venceu pela terceira vez seguida. Jolliffe foi o primeiro a correr Badwater abaixo de 21 horas, tirando 39min20 da marca de Yoshihiko Ishikawa, de 2019 — e Pérez, segunda na geral, tirou praticamente o mesmo do recorde feminino de Ashley Paulson.
Woods percorreu a Via Alpina de Trieste a Mônaco, oito países, com 117.614 m de ganho de elevação — média acima de 70 km e 4.000 m de subida por dia — batendo o recorde masculino anterior, de Jake Catterall, por mais de sete dias. Sanchez tirou 16h35 do recorde de Karel Sabbe na Pacific Crest Trail, mesmo perdendo uma noite internado por infecção no pé. Nenhum destes três FKTs foi homologado até o fechamento desta edição — todos constam como "pendente de verificação".
Em 28 de julho veio a confirmação de que Mathieu Blanchard deixa a Salomon e assina com a Kiprun, a marca de trail da Decathlon. A leitura publicada pela imprensa francesa é que a inclinação do atleta pela aventura deixou de casar com a direção da marca, que estaria se reposicionando no terreno do vestuário técnico urbano. O caso é lido como sintoma: marcas passando a comprar narrativa e visibilidade, não só pódio.
| # | Marca | Pontos (Q2/2026) | vs Q1 |
|---|---|---|---|
| 1 | HOKA | 180 | ▲ 1 |
| 2 | adidas TERREX | 172 | ▼ 1 |
| 3 | ACG (Nike) | 168 | = |
| 4 | Salomon | 138,5 | ▲ 5 |
| 5 | ASICS | 78 | nova |
| 6 | The North Face | 73,5 | ▼ 2 |
| 7 | On | 65 | ▲ 1 |
| 11 | NNormal | 46,5 | nova |
Ranking de força de patrocínio calculado por resultados de atletas patrocinados, publicado pela newsletter Trail Waves em 11 de julho. É metodologia própria da publicação, não dado oficial de mercado. A Salomon subiu cinco posições com as vitórias em Zegama e na Marathon du Mont-Blanc; Tove Alexandersson assinou com a marca no trimestre.
O ultramaratonista Mike McKnight admitiu publicamente, em podcast, ter usado BPC-157 — peptídeo proibido pela WADA na classe S0, de substâncias não aprovadas, banido em qualquer circunstância, dentro e fora de competição. Ele lesionou as costas 24 horas depois de completar a Cocodona 250 em 2025, já tinha cirurgia marcada, viu melhora na primeira semana de uso e cancelou a operação. Alega não saber que era proibido.
A escalada foi rápida: Sage Canaday denunciou o apresentador Cam Hanes à USADA por uso semelhante. Zach Bitter argumentou que educação tem de vir antes de punição, dada a complexidade das isenções terapêuticas; Canaday rebateu que regra publicada vale para todos e cobrou que cada um declare os próprios conflitos de interesse. A base científica da substância é rala — de 36 estudos, apenas um foi em humanos, com doze participantes; o resto é em animais, e o produto é vendido on-line "apenas para fins de pesquisa". Não há sanção formal contra McKnight até esta edição.
O pano de fundo é conhecido: um estudo de 2024 encontrou substâncias proibidas em 16,3% das amostras de urina de ultramaratonistas, e testes fora de competição são raros na modalidade. O caso Chepngeno — dois anos de suspensão, vitórias em Sierre-Zinal e na OCC anuladas — é o precedente mais visível.
No Val d'Aran by UTMB, o espanhol Julen Calvó liderava a prova de 110 km com 17 minutos de vantagem faltando 14 km quando recebeu 60 minutos de penalidade por assistência irregular: a organização alegou, com base em vídeo, que duas pessoas o auxiliaram no posto de Salardú, quando o regulamento permite apenas uma. Calvó contesta a versão. Caiu para sexto. Gautier Bonnecarrère venceu em 12h08 e reconheceu publicamente que o rival tinha sido o melhor em prova.
O Willow Fire cancelou a Silver Rush 50 e atingiu a região de Sugarloaf, no percurso da Leadville 100. Em 15 de julho a organização confirmou que a temporada segue, incluindo a Leadville 100 Mile em 22 de agosto, com desvios e a ressalva de que tudo depende do índice de qualidade do ar. No Oregon, as provas de 100 e 50 milhas do Cascades foram canceladas pelo Akawa Butte Fire; a Cascade Crest 100 virou ida e volta por causa do Three Queens Fire; a Hood Hundred foi interrompida no meio.
Na 18ª edição do Mountain Do Costão do Santinho, em 25 de julho, com cerca de 700 atletas, o espanhol Juan María Jiménez — top 10 do UTMB Mont-Blanc, trazido como convidado — venceu os 42 km em 3h38min20. O brasileiro Jeferson Dias chegou a 1min32, com 3h39min52. Celso Pereira Carmen foi terceiro, com 4h01min27. No feminino, Taís Damásio venceu em 4h37min22, à frente de Nina Ribeiro (5h24min50) e Fátima Castilhos (5h46min30).
| Distância | Vencedor | Tempo | Vencedora | Tempo |
|---|---|---|---|---|
| 53 km | Marcos Antonio Boos | 6h30min19 | Letícia da Silva Saltori | 7h47min16 |
| 27 km | Cristiano José Tedeski | 2h52min47 | Rozelene Rodrigues Padilha | 3h56min51 |
| 14 km | Vinicius Leite Ferreira | 1h38min31 | Juliana Lemke Dinnebier | 2h02min11 |
| 8 km | Vitor Iago Faria dos Santos | 53min45 | Amanda Severo | 1h22min25 |
Saltori e Padilha integraram a seleção brasileira no Mundial de Canfranc, em 2025.
O 3º Campeonato Brasileiro de Corrida em Trilha e Montanha foi disputado em 1º de março, no Parque Estadual Serra da Baitaca, em Quatro Barras (PR), com 174 inscritos e primeira transmissão ao vivo da modalidade.
| Prova | Campeão | Tempo | Campeã | Tempo |
|---|---|---|---|---|
| Short Trail 32 km | Rogério Silvestrin | 2h58min24 | Francieli Renata Kiekow | 3h43min52 |
| Classic 17 km | Allison Rocha Peres | 1h27min22 | Gabriela de Freitas Tardivo | 1h47min45 |
| Vertical | João Luiz da Silva | 47min36 | Anastacia Rocha Pereira | 56min05 |
| Classic Sub-20, 7 km | Gustavo Padilha Leal | 30min36 | Fernanda Sandri Schneider | 38min47 |
No Sul-Americano de Samaipata, na Bolívia, em 17 e 18 de abril, o Brasil somou quatro medalhas com dez convocados: prata de Suzany Perardt no Long Trail de 80 km (11h02min06), prata de Anastácia Rocha Pereira no Vertical (1h02min13), e dois bronzes no Classic de 16 km, de Allison Rocha Peres (1h13min46) e Gabriela de Freitas Tardivo (1h52min23).
| Prova | Distância | D+ | Data | Stones | Inscrição |
|---|---|---|---|---|---|
| PTR 108 | 108 km | 4.850 m | 18/09 | 3 | R$ 1.560 |
| PTR 58 | 58 km | 3.400 m | 19/09 | 2 | R$ 1.230 |
| PTR 34 | 34 km | 1.150 m | 19/09 | 1 | R$ 825 |
| PTR 25 | 25 km | 750 m | 19/09 | 1 | R$ 700 |
| PTR 17 | 17 km | 600 m | 19/09 | 1 | R$ 505 |
| RUN 7 | 7 km | 50 m | 20/09 | 1 | R$ 345 |
Inscrições abertas para todas as provas, com portais separados para brasileiros e estrangeiros. O site não publica saldo de vagas. Em 2025 a prova reuniu cerca de 4.000 inscritos de 39 países, com 41% de mulheres — alta sobre os 36% de 2024. O projeto Um Caiçara em Chamonix, que leva o melhor homem e a melhor mulher da comunidade caiçara de Paraty ao UTMB, ainda não teve os selecionados de 2026 divulgados.
La Misión Brasil, 11ª edição, acontece de 12 a 16 de agosto em Passa Quatro (MG), com acesso à Serra Fina, em distâncias de 7 a 110 km. O evento principal está esgotado — restam lista de espera, o training camp e as categorias infantojuvenil e kids.
| Data | Prova | Local | Circuito |
|---|---|---|---|
| 06-08/08 | KAT100 by UTMB | Áustria | UTMB World Series |
| 08/08 | Sierre-Zinal | Valais, Suíça | Golden Trail + WMRA |
| 14-16/08 | Boréalys Mont-Tremblant by UTMB | Quebec, Canadá | UTMB World Series (estreia) |
| 21 ou 22/08 | Matterhorn Ultraks Extreme | Zermatt, Suíça | Skyrunner (data a confirmar) |
| 22-23/08 | Trofeo KIMA | Itália | Skyrunner |
| 22-23/08 | Leadville Trail 100 Mile | Colorado, EUA | — |
| 22-23/08 | Ultra Trail Whistler by UTMB | Canadá | UTMB World Series |
| 24-30/08 | UTMB Mont-Blanc (TDS, MCC, ETC, OCC, CCC, UTMB, PTL) | Chamonix | Finais UTMB World Series |
| 05-06/09 | Vertical Nasego e Trofeo Nasego | Itália | Copa do Mundo WMRA |
| 05/09 | Maga SkyMarathon | Itália | Skyrunner |
| 19/09 | Maraton Trzech Jezior | Polônia | Copa do Mundo WMRA |
| Data | Prova | Local | Distâncias |
|---|---|---|---|
| 08/08 | Mountain Do Selva Amazônica | Macapá (AP) | 21k · 10k · 5k |
| 08/08 | Serra dos Eucaliptos Ultramarathon Trail | Biritiba Mirim (SP) | — |
| 08/08 | Corridas de Montanha Extrema | Extrema (MG) | 10 km |
| 12-16/08 | La Misión Brasil — esgotado | Passa Quatro (MG) | 7k a 110k |
| 15-16/08 | Desafio Brou Mariana | Mariana (MG) | — |
| 16/08 | Trail Series Pico do Jabre | Matinhas (PB) | — |
| 16/08 | 2º Circuito Serra do Cipó | Lapinha da Serra (MG) | — |
| 22/08 | Ibiti Run | Conceição do Ibitipoca (MG) | — |
| 23/08 | Mountain Do Campos do Jordão | Campos do Jordão (SP) | 20k · 10k · 5k |
| 28-29/08 | XTERRA Serra do Mar | — | 21k · 10k · 5k · 5k uphill |
| 28-30/08 | Insanity Mountain Chapada dos Veadeiros | Alto Paraíso (GO) | — |
| 29-30/08 | Ultramaratona Sergipe | Aracaju (SE) | 50k · 25k · 12k |
| 05/09 | SRUN Mountain Do Fernando de Noronha | Noronha (PE) | 21k · 8k |
| 05/09 | 13º Ultradesafio Sana | Arraial do Sana (RJ) | — |
| 06/09 | Ultra Trail Paranapiacaba | Santo André (SP) | — |
| 12/09 | WTR Rota Vulcânica | Poços de Caldas (MG) | — |
| 17-20/09 | Paraty Brazil by UTMB | Paraty (RJ) | 7k a 108k |
Depois de dois anos em que o trail importou do ciclismo de estrada a corrida armamentista dos carboidratos, o movimento de 2026 vem de dentro da elite do ultra — e é um freio. Paul Booth, nutricionista de performance e fisiologista do exercício da equipe internacional da Salomon, e o homem por trás da nutrição dos dois campeões do UTMB de 2025, resumiu a própria posição assim: "sou um cara de 90 gramas, em cima do muro, no meio".
O argumento é fisiológico. A glicose é absorvida pelo transportador SGLT1, que satura em torno de 60 a 70 g/h. Acrescentar frutose, que usa o GLUT5, numa razão de 1 para 0,8, permite teoricamente chegar a 120 g/h em atletas maiores — mas poder não é precisar. Booth critica um estudo recente que comparou 60, 110 e 120 g de carboidrato omitindo justamente a recomendação padrão de 90, o que enviesa a conclusão a favor das doses altas sem demonstrar vantagem real de performance. Para provas de 12 a 14 horas, a recomendação dele é que 90 g/h é mais seguro e mais executável.
Dois testes desta semana. A Hoka Tecton X 4 — 275 g, pilha de 40 mm no calcanhar e 35 no antepé, drop de 5 mm, US$ 275 — recebeu notas de 9,0 a 9,05 de três testadores. O cabedal Matryx Micro retém menos água que o da geração anterior e a placa de carbono enterrada preserva flexibilidade torcional em terreno técnico. Já a Inov8 Trailfly Pro — 230 g, pilha 34/28 mm, US$ 195, nota 9,05 — entrega retorno de energia alto com entressola de TPEE supercrítico, mas peca em proteção contra pedras e respirabilidade.
Números úteis para quem hesita: botas de caminhada pesam de 680 a 900 g o par, contra 450 a 590 g de um tênis de trail. Em compensação, a bota dura de 950 a 1.600 km e o tênis, de 640 a 800 km. A alegada superioridade da bota em suporte de tornozelo não se sustenta na literatura citada na reportagem.
A neozelandesa de 42 anos percorreu os 2.018 km da Via Alpina, de Trieste a Mônaco, cruzando oito países em 28 dias, 17 horas e 59 minutos — 117.614 m de ganho de elevação, média acima de 70 km e 4.000 m de subida por dia. Bateu o recorde geral de Jake Catterall (35 dias) e o feminino de Tessa Caspers (38 dias). Largou em 4 de julho, em plena onda de calor europeia, e enfrentou incêndios e desvios de trilha.
Dois recordes de percurso no mesmo dia no Vale da Morte. Max Jolliffe venceu em 20h53min41, primeiro sub-21 horas da história, tirando quase 40 minutos da marca de Yoshihiko Ishikawa. Carmen María Pérez foi segunda na geral com 21h05min32, também melhorando o recorde feminino em quase 40 minutos. São 217 km, 4.450 m de ganho e temperaturas acima de 40 °C mesmo à noite.
A alemã Katharina Hartmuth completou o Bob Graham Round — 106 km, 42 cumes e 8.200 m de subida no Lake District — em 14h11min58, superando o recorde feminino de Beth Pascall, de 2020. Pascall correu ao lado dela na segunda etapa.
O francês cravou 45 dias, 20 horas e 15 minutos nos 4.270 km da Pacific Crest Trail, do México ao Canadá, com mais de 122.000 m de ganho acumulado — cerca de 16 horas a menos que Karel Sabbe em 2023.
Boletim com dois eixos. O Badwater, onde os dois recordes caíram com 12 minutos de diferença e Harvey Lewis, aos 50, foi 11º geral melhorando o recorde da faixa 50-59 em quase 20 minutos. E o debate antidoping: Zach Bitter defendendo educação antes de política, Sage Canaday sustentando que regra publicada vale igualmente para todos.
O maratonista amador Kumsa Yuya conta anos de fadiga crônica e infecções recorrentes mesmo priorizando recuperação, comida de qualidade e abastecimento. Só ao trabalhar com nutricionista esportiva descobriu que estava em estado crônico de baixa disponibilidade energética. A recuperação levou um ano.
Vinte a trinta minutos, duas vezes por semana, com prioridade para glúteos máximo e médio, isquiotibiais e panturrilhas — estas absorvendo de duas a três vezes o peso corporal a cada passada. O músculo mais negligenciado é o sóleo.
Reportagem sobre um clube semanal de pliometria para maiores de 55 anos em New Hampshire, sob o lema "treine para a vida que você quer aos 85, não para o corpo que tinha aos 25". A rotina vai de elevações unilaterais de panturrilha a pogos, A-skips e bounds. O ganho é em economia de corrida, rigidez tendínea, equilíbrio e coordenação.
Teste a seis mãos do carro-chefe de ultra da Hoka: 275 g, pilha 40/35 mm, drop de 5 mm, base de 95/77/115 mm, US$ 275, notas de 9,0 a 9,05. "Busca, e acerta, um bom compromisso entre amortecimento e estabilidade, rigidez e sensação de solo."
Racer leve: 230 g, pilha 34/28 mm, drop de 6 mm, US$ 195, nota 9,05. Entressola de TPEE supercrítico com "alto retorno de energia e conforto em trilha técnica sem parecer desconectado do solo". Pontos fracos: proteção contra pedras e respirabilidade do cabedal.
Perfil do festival de quatro dias que acontece de 6 a 9 de agosto em Paraisópolis (MG), com percursos passando pelo Pico do Machadão, de frente para a Pedra do Baú.
Martínez-Navarro e col., Sports, 2026 — Downhill Running-Induced Muscle Damage in Trail Runners
Trinta e seis corredores de trail experientes, inscritos numa ultra de 106 km, fizeram 5 km de descida a 15% de inclinação, na intensidade do primeiro limiar ventilatório. Todos os marcadores de dano muscular subiram. A diferença apareceu no histórico de treino: quem fazia repetições de descida como rotina teve creatina quinase de 182 ± 73 U/L contra 290 ± 192 U/L — e reteve força no agachamento (+4 ± 10%) enquanto o outro grupo perdeu (−9,1 ± 16,8%). A retenção de força também foi maior em quem corria com menos oscilação vertical (r = −0,44) e passada mais curta (r = −0,37).
Robinson & Hahn, J Strength Cond Res, 2026 — The Effect of Resistance Training on Uphill Running Economy and Biomechanics
Vinte e cinco corredores recreativos, oito semanas de musculação focada em extensores de quadril, extensores de joelho e flexores plantares. A força de flexão plantar aumentou de forma significativa — mas a economia de corrida não mudou em nenhuma inclinação testada: plano, 5% e 10%. Os autores sugerem que treinadores e atletas "podem precisar explorar outras intervenções" para mexer na economia em subida.
O contraponto vem de dois trabalhos. Um ensaio randomizado com corredores bem treinados (Zanini e col., Med Sci Sports Exerc, 2025) mostrou que dez semanas de força máxima mais pliometria melhoraram a economia aos 90 minutos de corrida em 2,1% — enquanto o grupo controle piorou 0,6% — e aumentaram o tempo até a exaustão em 35%. E a meta-análise de Llanos-Lagos e col. (Sports Medicine, 2024), com 652 atletas, encontrou efeito pequeno mas real de cargas altas (ES = −0,27) e de métodos combinados (ES = −0,43), com ganhos maiores em velocidades mais altas e em atletas com VO₂max mais alto.
Ravikanti e col., J Appl Physiol, 2025 — ¹³C labelled glucose-fructose show greater exogenous and whole-body CHO oxidation at 120 vs 60 & 90 g·h⁻¹
Oito maratonistas de elite (melhor marca média de 2h22min54) correram 120 minutos ingerindo 60, 90 ou 120 g de carboidrato por hora, com glicose-frutose marcada isotopicamente. A oxidação de carboidrato exógeno na segunda hora foi de 1,68 g/min a 120 g/h, 1,31 a 90 e 0,89 a 60 — diferença estatística entre todas as condições. A economia de corrida melhorou: 8,1 mL de O₂ por quilo por quilômetro a menos a 120 g/h em relação a 60. Só que a incidência de sintomas gastrointestinais moderados a graves foi alta em todas as condições, e os picos de náusea, plenitude gástrica e cólica abdominal foram piores a 120 g/h.
A boa notícia é que o intestino se treina. Duas semanas de "gut challenge" repetido (Miall e col., 2018) — uma hora diária de corrida a 60% do VO₂max ingerindo 90 g/h — reduziram desconforto gástrico, sintomas totais, superiores, inferiores e náusea, cortaram o pico de hidrogênio expirado de 13 para 6 ppm (sinal de menos má absorção) e aumentaram a distância percorrida no esforço final. Nada disso aconteceu no grupo placebo. Numa revisão sistemática sobre ultra-trail de um dia (Arribalzaga e col., 2021), entre 65% e 82% dos corredores relataram sintomas gastrointestinais — e a maioria não chegava sequer aos 90 g/h recomendados.