Edição nº 1 Quinta-feira, 6 de agosto de 2026 Fechado às 16h30 (Brasília)

S.A.OSai do Asfalto Outdoor

Jornal diário da corrida de montanha

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Manchete do dia

Sierre-Zinal · sábado, 8 de agosto · Valais, Suíça

A corrida dos cinco 4.000 vale dobrado — e desta vez sem Kilian Jornet

Trinta e um quilômetros, 2.200 metros de subida e 1.100 de descida decidem pontos ao mesmo tempo na Golden Trail World Series e na Copa do Mundo da WMRA. O recordista do percurso ficou de fora por lesão no menisco.

A prova mais tradicional do calendário de montanha larga daqui a dois dias, com a elite feminina saindo às 10h30 e a masculina às 11h00 no horário da Europa Central — 5h30 e 6h00 em Brasília. O percurso vai de Sierre a Zinal com 31 km, 2.200 m de subida e 1.100 m de descida, segundo o site oficial da prova. O apelido vem da vista para cinco cumes acima de 4.000 metros.

O que torna esta edição diferente de qualquer outra etapa do ano é a dupla pontuação: Sierre-Zinal é a quinta das oito etapas da Golden Trail World Series e, ao mesmo tempo, a sétima das dez da Copa do Mundo de Corrida de Montanha da WMRA. Um único resultado mexe em dois campeonatos.

Kilian Jornet não larga. O catalão, recordista do percurso com 2h25min34 em 2024, anunciou a desistência depois de meses convivendo com lesão de menisco no joelho esquerdo, dano de cartilagem e edema ósseo — o mesmo quadro que o tirou da Western States em 27 de junho, em Dusty Corners. "Prefiro me dar tempo em vez de voltar cedo demais", escreveu. A iRunFar confirma a ausência dele na lista de inscritos.

Entre os homens, o nome do momento é o marroquino Elhousine Elazzaoui, que venceu três das quatro etapas já disputadas da Golden Trail em 2026 — Zegama, Ledro e Pitz Alpine — e foi quarto na quarta, por 32 segundos. Do outro lado, os quenianos: Philemon Kiriago, bicampeão e campeão em título, e Patrick Kipngeno, colecionador de segundos lugares aqui.

No feminino, a campeã em título é Caroline Kimutai, que herdou o título de 2025 com 2h55min31 depois que a vencedora original, Joyline Chepngeno, foi desclassificada por doping — dois anos de suspensão da Athletics Integrity Unit por triancinolona acetonida, inelegível até 2027. A queniana Ruth Gitonga chega liderando a classificação geral da Copa do Mundo da WMRA. E a suíça Maude Mathys, tetracampeã e recordista com 2h49min20 desde 2019, corre em casa. Joyce Njeru desistiu nesta quinta-feira, 6 de agosto.

A iRunFar anuncia cobertura ao vivo da prova. A lista final de largada ainda pode mudar: desistências de última hora têm sido a regra nesta temporada, com as duas semanas anteriores ao UTMB concentrando poupanças e recuos.

Circuitos mundiais

UTMB Mont-Blanc: 18 dias para Chamonix, e a lista de elite ainda é um rascunho

A 23ª edição do UTMB Mont-Blanc acontece de 24 a 30 de agosto. É ali que se decidem as finais das três categorias das UTMB World Series: OCC nos 50 km, CCC nos 100 km e UTMB nas 100 milhas. A temporada 2026 do circuito tem 64 eventos em cinco continentes, com nove estreias — quatro na Europa, três na Ásia e duas na América do Norte.

ProvaDataLargadaDistânciaD+Barreira
PTLseg 24/808h00300 km25.000 m151h
MCCseg 24/810h0040 km2.350 m10h
TDSseg 24/823h50145 km9.500 m44h55
ETCter 25/814h0015 km1.200 m4h30
OCCqui 27/808h1560 km3.500 m14h30
CCCsex 28/809h00101 km6.050 m26h30
UTMBsex 28/817h45174 km9.900 m46h45

Mudanças de percurso. A OCC ganhou novo ponto culminante na Tête de Balme, a 2.321 m. A TDS foi ampliada pela região do Beaufortain, incluindo o Pas d'Outray. A organização mantém a ressalva padrão de que distância e desnível podem ser ajustados por restrições de terreno.

Regras de qualificação — o que interessa a quem planeja temporada

Cuidado com listas de elite que circulam por aí. A página oficial de corredores de elite do UTMB retorna erro e não há entry list publicada. A única presença confirmada por anúncio próprio é a de Kilian Jornet, que busca o quinto título. Listas com dez ou quinze nomes que circulam em blogs de marca não são fonte primária — e algumas já estão desatualizadas, porque não registram as desistências das últimas duas semanas.

Golden Trail World Series: a Final vale 300 pontos, e agora subida e descida pontuam sozinhas

#EtapaPaísDataDist.D+
1Zegama-AizkorriEspanha17/0542 km2.745 m
2Ledro Sky TrentinoItália24/0528,8 km1.775 m
3Québec Mega TrailCanadá05/0728,6 km1.397 m
4Salomon Pitz AlpineÁustria01/0824,5 km1.618 m
5Sierre-ZinalSuíça08/0831 km2.133 m*
6Myoko TrailJapão20/0923,6 km1.935 m
7Jinshanling Great WallChina27/0922,4 km1.653 m
8Muju Trail — Grande FinalCoreia do Sul24/1025,6 km2.294 m

* O circuito informa 2.133 m de D+ para Sierre-Zinal; o site oficial da prova informa 2.200 m de subida e 1.100 m de descida. Divergência não resolvida.

Como se pontua em 2026: contam os quatro melhores resultados entre as sete etapas regulares, mais a Grande Final. Etapa regular vale até 200 pontos; a Final, até 300 — ou seja, quem chega vivo à Coreia em outubro decide o campeonato lá. Máximo teórico da temporada: 1.250 pontos.

Duas novidades. A primeira são os pontos de segmento: trechos específicos de subida, de descida e de sprint pontuam para os cinco primeiros (10-8-6-4-2), com teto de 150 pontos na temporada e exigência de concluir a prova para validar. A segunda é o ranking de equipes inaugural, que soma as posições dos dois melhores homens e das duas melhores mulheres de cada equipe em sistema de golfe — menor soma vence.

Merrell Skyrunner World Series: 19 provas, 12 países e a obrigação de correr uma RED

O circuito de skyrunning distribui mais de 250 mil euros na temporada, dos quais 100 mil vão para os vencedores da classificação geral. Provas classificadas como RED valem 1,5 vez os pontos; as WHITE, pontuação padrão.

Para constar no ranking geral é preciso completar quatro provas mais o SkyMasters, e o regulamento obriga a incluir ao menos uma e no máximo duas provas RED. O SkyMasters — Marató dels Dements, na Espanha, em 7 de novembro — vale pontuação dobrada. É um formato que penaliza quem só corre o que é perto de casa.

A última etapa foi o Beast of Big Creek (RED), em Hoodsport, no estado de Washington, nos dias 1º e 2 de agosto: Morgan Elliott venceu em 2h05min27, com o peruano José Manuel Quispe em segundo com 2h09min42 e Daniel Antonioli em terceiro com 2h10min45. No feminino, Eva Pannone fez 2h32min50, seguida de Natalie Beadle (2h35min13) e Claudia Corral (2h36min15). Com o pódio, Quispe carimbou vaga na grande final. A próxima etapa é o Matterhorn Ultraks Extreme, em Zermatt — o próprio circuito publica 21 e 22 de agosto em páginas diferentes, e a data exata precisa ser confirmada com o organizador. Entre 3 e 20 de agosto não há nenhuma etapa.

Copa do Mundo WMRA: dez eventos, e o Mundial só volta em 2027

A Copa do Mundo de Corrida de Montanha de 2026 tem dez eventos, dez países, 16 corridas e três continentes, com bolsa de aproximadamente 250 mil euros e, como novidade, premiação separada por categoria — uphill, classic up and down e long distance — além do ranking geral. Sierre-Zinal é a etapa deste sábado; a final é o Défi des Couleurs, no Canadá, em 10 e 11 de outubro.

Na última etapa disputada, o Vauban Mountain Trail, em Briançon (França), em 19 de julho, o queniano Ephantus Mwangi Njeri venceu os 14 km da classic em 1h03min01, à frente de Richard Omaya Atuya (1h03min28) e Elijah Kamau Kariuki (1h05min06) — pódio inteiramente queniano. No feminino, Ruth Mwihaki Gitonga fez 1h14min03, com Gloria Chebet a 19 segundos. No uphill de 6 km, no dia anterior, venceram Atuya (40min40) e a italiana Francesca Ghelfi (49min18).

Gitonga lidera a classificação geral feminina. O líder masculino não está confirmado: a prévia da WMRA indica que Philemon Kiriago é o segundo colocado, mas nenhuma fonte acessível nomeia o primeiro nem publica pontuações — a entidade divulga o ranking apenas em PDF que não foi possível recuperar.

Não há Campeonato Mundial em 2026. O WMTRC é bienal; depois de Canfranc, na Espanha, em 2025, o próximo será na Cidade do Cabo, África do Sul, de 6 a 10 de outubro de 2027 — a primeira vez do evento na África, com quatro provas sênior (classic, uphill, short trail e long trail), medalhas individuais e por equipe, e expectativa de cerca de 1.200 atletas de elite de mais de 80 países. Em 28 de julho, a WMRA e a Athletics Integrity Unit anunciaram reforço da educação antidoping para corredores de montanha.

O que já ficou na história em 2026

MarcaAtletaTempoData
Recorde do percurso — Zegama-AizkorriTove Alexandersson (SWE)4h08min0917/05
Recorde do percurso — Hardrock 100 (fem.)Courtney Dauwalter (EUA)26h03min1010-11/07
Recorde do percurso — Hardrock 100 (masc.)Ludovic Pommeret (FRA)21h11min3610-11/07
Recorde do percurso — Badwater 135 (masc.)Max Jolliffe (EUA)20h53min4125-27/07
Recorde do percurso — Badwater 135 (fem.)Carmen María Pérez (ESP)21h05min3225-27/07
FKT geral — Via Alpina, 2.018 kmSophie Woods / Grant (NZL)28d 17h 59min04/07 a 01/08
FKT masc. — Pacific Crest Trail, 4.270 kmAurélien Sanchez (FRA)45d 20h 15minaté 23/07
FKT masc. — GR20, CórsegaFrançois D'Haene (FRA)29h46min2008-09/07
Recorde fem. — Bob Graham RoundKatharina Hartmuth (ALE)14h11min5827/07

Alexandersson tirou 8min34 do recorde de Nienke Brinkman em Zegama (4h16min43, de 2022). Dauwalter melhorou a própria marca de 2024 em 8min39 e terminou em quinto na classificação geral da Hardrock. Pommeret, aos 50 e poucos anos, tirou 21 minutos do próprio recorde e venceu pela terceira vez seguida. Jolliffe foi o primeiro a correr Badwater abaixo de 21 horas, tirando 39min20 da marca de Yoshihiko Ishikawa, de 2019 — e Pérez, segunda na geral, tirou praticamente o mesmo do recorde feminino de Ashley Paulson.

Woods percorreu a Via Alpina de Trieste a Mônaco, oito países, com 117.614 m de ganho de elevação — média acima de 70 km e 4.000 m de subida por dia — batendo o recorde masculino anterior, de Jake Catterall, por mais de sete dias. Sanchez tirou 16h35 do recorde de Karel Sabbe na Pacific Crest Trail, mesmo perdendo uma noite internado por infecção no pé. Nenhum destes três FKTs foi homologado até o fechamento desta edição — todos constam como "pendente de verificação".

A atleta neozelandesa da Via Alpina aparece como Sophie Woods em parte da imprensa e como Sophie Grant em outra, inclusive no próprio registro de FKT. É a mesma pessoa.

Radar da elite

Quem está fora, e por quê

Contratos: a saída de Blanchard da Salomon diz mais do que parece

Em 28 de julho veio a confirmação de que Mathieu Blanchard deixa a Salomon e assina com a Kiprun, a marca de trail da Decathlon. A leitura publicada pela imprensa francesa é que a inclinação do atleta pela aventura deixou de casar com a direção da marca, que estaria se reposicionando no terreno do vestuário técnico urbano. O caso é lido como sintoma: marcas passando a comprar narrativa e visibilidade, não só pódio.

#MarcaPontos (Q2/2026)vs Q1
1HOKA180▲ 1
2adidas TERREX172▼ 1
3ACG (Nike)168=
4Salomon138,5▲ 5
5ASICS78nova
6The North Face73,5▼ 2
7On65▲ 1
11NNormal46,5nova

Ranking de força de patrocínio calculado por resultados de atletas patrocinados, publicado pela newsletter Trail Waves em 11 de julho. É metodologia própria da publicação, não dado oficial de mercado. A Salomon subiu cinco posições com as vitórias em Zegama e na Marathon du Mont-Blanc; Tove Alexandersson assinou com a marca no trimestre.

A briga do ano: peptídeo proibido e um debate que o esporte não sabe resolver

O ultramaratonista Mike McKnight admitiu publicamente, em podcast, ter usado BPC-157 — peptídeo proibido pela WADA na classe S0, de substâncias não aprovadas, banido em qualquer circunstância, dentro e fora de competição. Ele lesionou as costas 24 horas depois de completar a Cocodona 250 em 2025, já tinha cirurgia marcada, viu melhora na primeira semana de uso e cancelou a operação. Alega não saber que era proibido.

A escalada foi rápida: Sage Canaday denunciou o apresentador Cam Hanes à USADA por uso semelhante. Zach Bitter argumentou que educação tem de vir antes de punição, dada a complexidade das isenções terapêuticas; Canaday rebateu que regra publicada vale para todos e cobrou que cada um declare os próprios conflitos de interesse. A base científica da substância é rala — de 36 estudos, apenas um foi em humanos, com doze participantes; o resto é em animais, e o produto é vendido on-line "apenas para fins de pesquisa". Não há sanção formal contra McKnight até esta edição.

O pano de fundo é conhecido: um estudo de 2024 encontrou substâncias proibidas em 16,3% das amostras de urina de ultramaratonistas, e testes fora de competição são raros na modalidade. O caso Chepngeno — dois anos de suspensão, vitórias em Sierre-Zinal e na OCC anuladas — é o precedente mais visível.

Uma hora de penalidade e uma vitória perdida

No Val d'Aran by UTMB, o espanhol Julen Calvó liderava a prova de 110 km com 17 minutos de vantagem faltando 14 km quando recebeu 60 minutos de penalidade por assistência irregular: a organização alegou, com base em vídeo, que duas pessoas o auxiliaram no posto de Salardú, quando o regulamento permite apenas uma. Calvó contesta a versão. Caiu para sexto. Gautier Bonnecarrère venceu em 12h08 e reconheceu publicamente que o rival tinha sido o melhor em prova.

Fogo reescrevendo o calendário norte-americano

O Willow Fire cancelou a Silver Rush 50 e atingiu a região de Sugarloaf, no percurso da Leadville 100. Em 15 de julho a organização confirmou que a temporada segue, incluindo a Leadville 100 Mile em 22 de agosto, com desvios e a ressalva de que tudo depende do índice de qualidade do ar. No Oregon, as provas de 100 e 50 milhas do Cascades foram canceladas pelo Akawa Butte Fire; a Cascade Crest 100 virou ida e volta por causa do Three Queens Fire; a Hood Hundred foi interrompida no meio.

Brasil

Um espanhol venceu em Florianópolis por 1min32 — e essa margem conta uma história

Na 18ª edição do Mountain Do Costão do Santinho, em 25 de julho, com cerca de 700 atletas, o espanhol Juan María Jiménez — top 10 do UTMB Mont-Blanc, trazido como convidado — venceu os 42 km em 3h38min20. O brasileiro Jeferson Dias chegou a 1min32, com 3h39min52. Celso Pereira Carmen foi terceiro, com 4h01min27. No feminino, Taís Damásio venceu em 4h37min22, à frente de Nina Ribeiro (5h24min50) e Fátima Castilhos (5h46min30).

Ultra Maratona dos Perdidos — 20 de julho, Serra do Ibitiraquire (PR)

DistânciaVencedorTempoVencedoraTempo
53 kmMarcos Antonio Boos6h30min19Letícia da Silva Saltori7h47min16
27 kmCristiano José Tedeski2h52min47Rozelene Rodrigues Padilha3h56min51
14 kmVinicius Leite Ferreira1h38min31Juliana Lemke Dinnebier2h02min11
8 kmVitor Iago Faria dos Santos53min45Amanda Severo1h22min25

Saltori e Padilha integraram a seleção brasileira no Mundial de Canfranc, em 2025.

Seleção brasileira: o que a CBAt fez em 2026

O 3º Campeonato Brasileiro de Corrida em Trilha e Montanha foi disputado em 1º de março, no Parque Estadual Serra da Baitaca, em Quatro Barras (PR), com 174 inscritos e primeira transmissão ao vivo da modalidade.

ProvaCampeãoTempoCampeãTempo
Short Trail 32 kmRogério Silvestrin2h58min24Francieli Renata Kiekow3h43min52
Classic 17 kmAllison Rocha Peres1h27min22Gabriela de Freitas Tardivo1h47min45
VerticalJoão Luiz da Silva47min36Anastacia Rocha Pereira56min05
Classic Sub-20, 7 kmGustavo Padilha Leal30min36Fernanda Sandri Schneider38min47

No Sul-Americano de Samaipata, na Bolívia, em 17 e 18 de abril, o Brasil somou quatro medalhas com dez convocados: prata de Suzany Perardt no Long Trail de 80 km (11h02min06), prata de Anastácia Rocha Pereira no Vertical (1h02min13), e dois bronzes no Classic de 16 km, de Allison Rocha Peres (1h13min46) e Gabriela de Freitas Tardivo (1h52min23).

Leitura honesta da presença brasileira lá fora. Não localizamos nenhuma lista nominal de brasileiros inscritos no UTMB Mont-Blanc 2026, nem qualquer brasileiro pontuando na Golden Trail World Series nesta temporada. O que existe de participação internacional confirmada em 2026 é de base e de máster: seis brasileiros no Mundial Máster de Skyrunning, nos Alpes franceses, em 3 e 4 de julho — com Airac Felice Hoareu Baggi em 31º geral no Vertical e 44º no Sky — e o resultado mais expressivo do ano no Mundial Juvenil de Skyrunning, na Croácia, onde João Victor Rosa foi 8º na categoria Youth C com 2h44min26. Também não há confirmação de um 4º Campeonato Brasileiro em 2026, nem de seletivas para o Mundial de 2027. O caminho brasileiro para a Cidade do Cabo ainda não tem porta de entrada anunciada.

Paraty Brazil by UTMB — 17 a 20 de setembro

ProvaDistânciaD+DataStonesInscrição
PTR 108108 km4.850 m18/093R$ 1.560
PTR 5858 km3.400 m19/092R$ 1.230
PTR 3434 km1.150 m19/091R$ 825
PTR 2525 km750 m19/091R$ 700
PTR 1717 km600 m19/091R$ 505
RUN 77 km50 m20/091R$ 345

Inscrições abertas para todas as provas, com portais separados para brasileiros e estrangeiros. O site não publica saldo de vagas. Em 2025 a prova reuniu cerca de 4.000 inscritos de 39 países, com 41% de mulheres — alta sobre os 36% de 2024. O projeto Um Caiçara em Chamonix, que leva o melhor homem e a melhor mulher da comunidade caiçara de Paraty ao UTMB, ainda não teve os selecionados de 2026 divulgados.

La Misión Brasil, 11ª edição, acontece de 12 a 16 de agosto em Passa Quatro (MG), com acesso à Serra Fina, em distâncias de 7 a 110 km. O evento principal está esgotado — restam lista de espera, o training camp e as categorias infantojuvenil e kids.

Agenda · próximas seis semanas

Mundo

DataProvaLocalCircuito
06-08/08KAT100 by UTMBÁustriaUTMB World Series
08/08Sierre-ZinalValais, SuíçaGolden Trail + WMRA
14-16/08Boréalys Mont-Tremblant by UTMBQuebec, CanadáUTMB World Series (estreia)
21 ou 22/08Matterhorn Ultraks ExtremeZermatt, SuíçaSkyrunner (data a confirmar)
22-23/08Trofeo KIMAItáliaSkyrunner
22-23/08Leadville Trail 100 MileColorado, EUA
22-23/08Ultra Trail Whistler by UTMBCanadáUTMB World Series
24-30/08UTMB Mont-Blanc (TDS, MCC, ETC, OCC, CCC, UTMB, PTL)ChamonixFinais UTMB World Series
05-06/09Vertical Nasego e Trofeo NasegoItáliaCopa do Mundo WMRA
05/09Maga SkyMarathonItáliaSkyrunner
19/09Maraton Trzech JeziorPolôniaCopa do Mundo WMRA

Brasil

DataProvaLocalDistâncias
08/08Mountain Do Selva AmazônicaMacapá (AP)21k · 10k · 5k
08/08Serra dos Eucaliptos Ultramarathon TrailBiritiba Mirim (SP)
08/08Corridas de Montanha ExtremaExtrema (MG)10 km
12-16/08La Misión Brasil — esgotadoPassa Quatro (MG)7k a 110k
15-16/08Desafio Brou MarianaMariana (MG)
16/08Trail Series Pico do JabreMatinhas (PB)
16/082º Circuito Serra do CipóLapinha da Serra (MG)
22/08Ibiti RunConceição do Ibitipoca (MG)
23/08Mountain Do Campos do JordãoCampos do Jordão (SP)20k · 10k · 5k
28-29/08XTERRA Serra do Mar21k · 10k · 5k · 5k uphill
28-30/08Insanity Mountain Chapada dos VeadeirosAlto Paraíso (GO)
29-30/08Ultramaratona SergipeAracaju (SE)50k · 25k · 12k
05/09SRUN Mountain Do Fernando de NoronhaNoronha (PE)21k · 8k
05/0913º Ultradesafio SanaArraial do Sana (RJ)
06/09Ultra Trail ParanapiacabaSanto André (SP)
12/09WTR Rota VulcânicaPoços de Caldas (MG)
17-20/09Paraty Brazil by UTMBParaty (RJ)7k a 108k

Treino & equipamento

Nutrição: o recuo cético dos 120 g/h

Depois de dois anos em que o trail importou do ciclismo de estrada a corrida armamentista dos carboidratos, o movimento de 2026 vem de dentro da elite do ultra — e é um freio. Paul Booth, nutricionista de performance e fisiologista do exercício da equipe internacional da Salomon, e o homem por trás da nutrição dos dois campeões do UTMB de 2025, resumiu a própria posição assim: "sou um cara de 90 gramas, em cima do muro, no meio".

O argumento é fisiológico. A glicose é absorvida pelo transportador SGLT1, que satura em torno de 60 a 70 g/h. Acrescentar frutose, que usa o GLUT5, numa razão de 1 para 0,8, permite teoricamente chegar a 120 g/h em atletas maiores — mas poder não é precisar. Booth critica um estudo recente que comparou 60, 110 e 120 g de carboidrato omitindo justamente a recomendação padrão de 90, o que enviesa a conclusão a favor das doses altas sem demonstrar vantagem real de performance. Para provas de 12 a 14 horas, a recomendação dele é que 90 g/h é mais seguro e mais executável.

Para levar
Prova de montanha não é etapa de WorldTour. Perfil de esforço intermitente, calor, altitude e desconforto gástrico mudam a equação. Antes de subir a dose, treine o intestino no volume que você já usa.

Calçados: quatro coisas mudaram em 2026

  1. A placa de carbono virou item de catálogo — com resistência organizada. Quase toda marca grande lançou um modelo de prova com placa. Salomon, La Sportiva, NNormal e Inov8 continuam recusando, argumentando que o modelo sem placa é mais versátil e mais barato. É a divisão filosófica mais nítida do setor hoje.
  2. Formas mais largas viraram padrão, e drops acima de 6 mm estão ficando raros. Acabou a era do bico estreito e rígido.
  3. Convergência no TPU alifático, que apareceu em várias faixas de preço. O custo das superespumas está deixando de ser proibitivo.
  4. Palmilhas com espuma premium substituindo o EVA genérico.

Dois testes desta semana. A Hoka Tecton X 4 — 275 g, pilha de 40 mm no calcanhar e 35 no antepé, drop de 5 mm, US$ 275 — recebeu notas de 9,0 a 9,05 de três testadores. O cabedal Matryx Micro retém menos água que o da geração anterior e a placa de carbono enterrada preserva flexibilidade torcional em terreno técnico. Já a Inov8 Trailfly Pro — 230 g, pilha 34/28 mm, US$ 195, nota 9,05 — entrega retorno de energia alto com entressola de TPEE supercrítico, mas peca em proteção contra pedras e respirabilidade.

Para levar
A Trailfly Pro é sapato de prova para single track misto e estrada de terra em ritmo forte, não para lama profunda nem pedreira solta. Para o amador, funciona melhor como segundo par de competição do que como tênis de rodagem.

Botas ou tênis de trail para caminhar na montanha?

Números úteis para quem hesita: botas de caminhada pesam de 680 a 900 g o par, contra 450 a 590 g de um tênis de trail. Em compensação, a bota dura de 950 a 1.600 km e o tênis, de 640 a 800 km. A alegada superioridade da bota em suporte de tornozelo não se sustenta na literatura citada na reportagem.

Leitura da semana

iRunFar · 4 de agosto

Sophie Woods Sets Overall Supported FKT on 2,000-Kilometer Via Alpina Route

A neozelandesa de 42 anos percorreu os 2.018 km da Via Alpina, de Trieste a Mônaco, cruzando oito países em 28 dias, 17 horas e 59 minutos — 117.614 m de ganho de elevação, média acima de 70 km e 4.000 m de subida por dia. Bateu o recorde geral de Jake Catterall (35 dias) e o feminino de Tessa Caspers (38 dias). Largou em 4 de julho, em plena onda de calor europeia, e enfrentou incêndios e desvios de trilha.

Para levar
Projeto longo se ganha na logística, não na perna. Ela tinha equipe fixa e replanejou trechos por causa do fogo — o equivalente amador é sair de casa com plano B de rota e de abastecimento já definido.
RUN247 · 29 de julho

Badwater 135 results 2026: Records shattered in 'world's toughest footrace'

Dois recordes de percurso no mesmo dia no Vale da Morte. Max Jolliffe venceu em 20h53min41, primeiro sub-21 horas da história, tirando quase 40 minutos da marca de Yoshihiko Ishikawa. Carmen María Pérez foi segunda na geral com 21h05min32, também melhorando o recorde feminino em quase 40 minutos. São 217 km, 4.450 m de ganho e temperaturas acima de 40 °C mesmo à noite.

Para levar
Nos dois recordes a estratégia foi a mesma: sair contido nas primeiras horas e acelerar na parte alta. Calor extremo se enfrenta com aclimatação prévia e gestão conservadora de ritmo.
RUN247 · 27 de julho

'The coolest day since I've started running' — Hartmuth smashes Bob Graham record

A alemã Katharina Hartmuth completou o Bob Graham Round — 106 km, 42 cumes e 8.200 m de subida no Lake District — em 14h11min58, superando o recorde feminino de Beth Pascall, de 2020. Pascall correu ao lado dela na segunda etapa.

Para levar
Em travessia sem marcação, tempo gasto reconhecendo trecho vale mais que treino extra. O Bob Graham é ganho por linha de descida conhecida e por pacers que sabem o caminho.
RUN247 · 28 de julho

Aurélien Sanchez lost for words after incredible Pacific Crest Trail FKT

O francês cravou 45 dias, 20 horas e 15 minutos nos 4.270 km da Pacific Crest Trail, do México ao Canadá, com mais de 122.000 m de ganho acumulado — cerca de 16 horas a menos que Karel Sabbe em 2023.

The Ultra Minute · 29 de julho

The Ultra Minute: July 29, 2026

Boletim com dois eixos. O Badwater, onde os dois recordes caíram com 12 minutos de diferença e Harvey Lewis, aos 50, foi 11º geral melhorando o recorde da faixa 50-59 em quase 20 minutos. E o debate antidoping: Zach Bitter defendendo educação antes de política, Sage Canaday sustentando que regra publicada vale igualmente para todos.

Canadian Running · 6 de agosto

In the Red: Understanding the difference between normal training fatigue and energy deficiency

O maratonista amador Kumsa Yuya conta anos de fadiga crônica e infecções recorrentes mesmo priorizando recuperação, comida de qualidade e abastecimento. Só ao trabalhar com nutricionista esportiva descobriu que estava em estado crônico de baixa disponibilidade energética. A recuperação levou um ano.

Para levar
Cansaço que não passa com semana leve, resfriados repetidos e queda de sono e libido não são "carga de treino". Antes de cortar volume, some as calorias do dia e compare com o gasto do treino.
Canadian Running · 5 de agosto

Strength training for runners might not be as complicated as you think

Vinte a trinta minutos, duas vezes por semana, com prioridade para glúteos máximo e médio, isquiotibiais e panturrilhas — estas absorvendo de duas a três vezes o peso corporal a cada passada. O músculo mais negligenciado é o sóleo.

Para levar
Inclua elevação de panturrilha com joelho flexionado. É o ângulo que recruta o sóleo — o músculo que segura a descida técnica e protege o tendão de Aquiles.
Canadian Running · 4 de agosto

50+ runners: here's your sign to join the plyometric club

Reportagem sobre um clube semanal de pliometria para maiores de 55 anos em New Hampshire, sob o lema "treine para a vida que você quer aos 85, não para o corpo que tinha aos 25". A rotina vai de elevações unilaterais de panturrilha a pogos, A-skips e bounds. O ganho é em economia de corrida, rigidez tendínea, equilíbrio e coordenação.

Para levar
Pliometria é justamente o que devolve rigidez de tendão e tempo de reação ao corredor veterano de montanha. Comece com pogos e A-skips depois do aquecimento, duas vezes por semana.
Road Trail Run · 31 de julho

Hoka Tecton X 4 Multi Tester Review with 7 Comparisons

Teste a seis mãos do carro-chefe de ultra da Hoka: 275 g, pilha 40/35 mm, drop de 5 mm, base de 95/77/115 mm, US$ 275, notas de 9,0 a 9,05. "Busca, e acerta, um bom compromisso entre amortecimento e estabilidade, rigidez e sensação de solo."

Road Trail Run · 6 de agosto

Inov8 Trailfly Pro Review: Incredibly Light and Very Capable

Racer leve: 230 g, pilha 34/28 mm, drop de 6 mm, US$ 195, nota 9,05. Entressola de TPEE supercrítico com "alto retorno de energia e conforto em trilha técnica sem parecer desconectado do solo". Pontos fracos: proteção contra pedras e respirabilidade do cabedal.

Trail Running Brasil · 1º de agosto

O Chamado da Mantiqueira: Fé, Desafio e a Jornada da Savage Trail Run

Perfil do festival de quatro dias que acontece de 6 a 9 de agosto em Paraisópolis (MG), com percursos passando pelo Pico do Machadão, de frente para a Pedra do Baú.

Ciência aplicada

Quem treina descida chega mais inteiro no fim da ultra

Martínez-Navarro e col., Sports, 2026 — Downhill Running-Induced Muscle Damage in Trail Runners

Trinta e seis corredores de trail experientes, inscritos numa ultra de 106 km, fizeram 5 km de descida a 15% de inclinação, na intensidade do primeiro limiar ventilatório. Todos os marcadores de dano muscular subiram. A diferença apareceu no histórico de treino: quem fazia repetições de descida como rotina teve creatina quinase de 182 ± 73 U/L contra 290 ± 192 U/L — e reteve força no agachamento (+4 ± 10%) enquanto o outro grupo perdeu (−9,1 ± 16,8%). A retenção de força também foi maior em quem corria com menos oscilação vertical (r = −0,44) e passada mais curta (r = −0,37).

Para levar
Descida se treina como qualquer outra qualidade, e a adaptação é específica. Uma sessão semanal de repetições de descida, feita em terreno parecido com o da prova, muda o estado em que você chega ao quilômetro 80. E rasteje mais: menos salto vertical, passada mais curta, cadência maior.

Força melhora a corrida — mas talvez não a economia na subida

Robinson & Hahn, J Strength Cond Res, 2026 — The Effect of Resistance Training on Uphill Running Economy and Biomechanics

Vinte e cinco corredores recreativos, oito semanas de musculação focada em extensores de quadril, extensores de joelho e flexores plantares. A força de flexão plantar aumentou de forma significativa — mas a economia de corrida não mudou em nenhuma inclinação testada: plano, 5% e 10%. Os autores sugerem que treinadores e atletas "podem precisar explorar outras intervenções" para mexer na economia em subida.

O contraponto vem de dois trabalhos. Um ensaio randomizado com corredores bem treinados (Zanini e col., Med Sci Sports Exerc, 2025) mostrou que dez semanas de força máxima mais pliometria melhoraram a economia aos 90 minutos de corrida em 2,1% — enquanto o grupo controle piorou 0,6% — e aumentaram o tempo até a exaustão em 35%. E a meta-análise de Llanos-Lagos e col. (Sports Medicine, 2024), com 652 atletas, encontrou efeito pequeno mas real de cargas altas (ES = −0,27) e de métodos combinados (ES = −0,43), com ganhos maiores em velocidades mais altas e em atletas com VO₂max mais alto.

Para levar
A leitura conjunta é: força não deixa você mais econômico aos dez minutos de subida — deixa você menos ineficiente na segunda metade da prova. O desfecho que importa no ultra não é a economia no estado fresco, é a durabilidade dela. Cargas altas, duas vezes por semana, dez a catorze semanas.

120 g/h funciona no laboratório e revira o estômago na prática

Ravikanti e col., J Appl Physiol, 2025 — ¹³C labelled glucose-fructose show greater exogenous and whole-body CHO oxidation at 120 vs 60 & 90 g·h⁻¹

Oito maratonistas de elite (melhor marca média de 2h22min54) correram 120 minutos ingerindo 60, 90 ou 120 g de carboidrato por hora, com glicose-frutose marcada isotopicamente. A oxidação de carboidrato exógeno na segunda hora foi de 1,68 g/min a 120 g/h, 1,31 a 90 e 0,89 a 60 — diferença estatística entre todas as condições. A economia de corrida melhorou: 8,1 mL de O₂ por quilo por quilômetro a menos a 120 g/h em relação a 60. Só que a incidência de sintomas gastrointestinais moderados a graves foi alta em todas as condições, e os picos de náusea, plenitude gástrica e cólica abdominal foram piores a 120 g/h.

A boa notícia é que o intestino se treina. Duas semanas de "gut challenge" repetido (Miall e col., 2018) — uma hora diária de corrida a 60% do VO₂max ingerindo 90 g/h — reduziram desconforto gástrico, sintomas totais, superiores, inferiores e náusea, cortaram o pico de hidrogênio expirado de 13 para 6 ppm (sinal de menos má absorção) e aumentaram a distância percorrida no esforço final. Nada disso aconteceu no grupo placebo. Numa revisão sistemática sobre ultra-trail de um dia (Arribalzaga e col., 2021), entre 65% e 82% dos corredores relataram sintomas gastrointestinais — e a maioria não chegava sequer aos 90 g/h recomendados.

Para levar
A dose ótima é a maior que você tolera, não a maior publicada. Comece onde está, suba de 10 em 10 g/h nos treinos longos ao longo de duas a três semanas, e teste sempre no calor e na inclinação da prova. Dose que você nunca ensaiou não é estratégia, é aposta.